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Caros Amigos, Infelizmente o UOL tem dificultado a vida deste blog ao maximo. Postar é quase um parto e por isso tenho que abandona-lo. Mas podem me encontrar no endereço antigo : http://penacova.blig.ig.com.br O conto continua no endereço acima, assim como minhas outras insanidades. Espero a todos com o café quente e o bolinho de laranja. Abraços Caros amigos, Minha ausência não é por escolha. Me parece que minha conexão só quer funcionar quando as tarifas são normais e nunca quando reduzidas, como depois da meia noite ou nos fins de semana. Por isso, espero que me perdoem as poucas visitas, não desisti ainda da briga com Uol e Telefônica e espero um dia poder dizer que passei a madrugada os visitando. Enquanto isso, aqui vai um novo conto, logo abaixo, em sabe Deus quantas partes, que comecei estes dias. A quem interessar, volto com o Conto Delivery, portanto deixem seus e-mails para a entrega dos capítulos. Saudades de todos. Abraços da sempre sua, Andréa Claudia Febre. Indisposição. Tosse. Espirros bizarros e inconvenientes. Foram assim meus dias desde Segunda-feira. O mal humor matinal se estendeu por dias inteiros. O nariz, perturbado pela sinusite, virou uma batata de bom tamanho. O corpo ficou moído, doido e impróprio para o uso domestico. Mas ao deitar na cama, a cada noite, achei conforto em pensar que os delírios da febre me trariam sonhos divertidos, afinal sempre foi assim. Mas, e odeio essa palavrinha pequena, insignificante e de tantos significados, não foi bem divertido, digamos que tenha sido perturbador e decepcionante. Primeiro sonhos. Me descubro de volta à Nova York e penso, (vocês também pensam dentro do sonho, ou sou só eu?) que vou me divertir, ver algumas peças, ter um encontro com o fantasma da opera.... Não. Eu, do sonho, me dirijo à loja onde comprei minha maquina fotográfica e exijo que a troquem por uma digital. Com convicção apresento meu caso, alegando que eles sabiam das maquinas digitais e mesmo assim me deixaram comprar uma simples automática com zoom. Grito com meu eu do sonho "Tá doida! Vai passear! Vai comprar ingressos na primeira fila pro fantasma da opera! Ou melhor, vai dar uns amassos no fantasma. Mas eu, do sonho, nem me incomodo com o que eu quero. Continuo minha briga infantil e irritante e acabo saindo com a maquina digital nas mãos. Acordo com raiva, já que é sonho que me adianta uma maquina digital? Por que a idiota não foi fazer algo emocionante? Segundo sonho. O personagem deste sonho é recorrente, o homem de minha vida, aquele por quem me apaixonei nos sonhos. Sempre estamos felizes em lugares paradisíacos, portanto quando ele aparece eu penso "Uebaaaaaa, com essa febre hoje vai ferver, não aceito nada menos do que sexo selvagem numa praia do Hawai. Mas eu, do sonho, tenho outros planos. Provoco o infeliz, brigo com o coitado, detono nosso relacionamento idílico e ainda por cima mando ele passear sozinho, sendo que em nossa direção vem uma coleção de Misses com faixas e tudo. Posso ler de longe, Miss Hawai, Miss Brasil, Miss França, Miss Pirituba. Desesperada grito e peço para ele voltar, mas ele olha para trás e só vê a eu, do sonho, birrenta e mostrando a língua para ele. Terceiro sonho. Eu, do sonho, e Keanu Reaves. Animei. Pareço até doce, acho que a febre baixou e me acalmou. Não consigo escutar o que falam, mas a linguagem corporal me faz soltar um "Uhuuuuuuu!!!!". Eu avanço, me ponho nas pontas dos pés e lhe dou um beijo no rosto seguido de um abraço apertado. Penso que agora vai. Hehe. Ele aperta de volta, vira o rosto procurando o meu.... dela (FDP) e...... eu, idiota dou um risinho desdenhoso e vou embora!!! VOU EMBORA! Me digam agora qual a vantagem de delirar de febre? Me digam porque a cretina do sonho, que nem sente meu atual desconforto e que é magra e linda, está com esse mal humor? A gripe me abateu o corpo, a febre me abateu o espirito, mas essa FDP me deixou com uma raiva danada. Fico aqui presa ao meu computador mergulhada no mundo que acaba por nem parecer virtual. A janela fechada me sufoca, mas eu sei que se a abrir acabo congelada sem nem perceber. Faço um acordo comigo mesma e a abro por alguns momentos, me debruçando para olhar a noite até meu quarto se encher de ar frio e novo. Já é perto da meia noite e não poderia haver noite mais silenciosa no coração de São Paulo. Tão diferente de semanas atrás onde os sons das pessoas procurando se refrescar á luz da lua enchiam meus ouvidos. Respiro o ar como se fosse água e eu fosse o deserto, me admiro do brilho das estrelas e sinto falta da lua que se esconde nas sombras. Reparo como as luzes nos apartamentos em volta são mais raras do que antes, imagino todos deitados em suas camas rezando por uma noite prolongada. Foi assim, em meio à contemplação, que quase fui apanhada. Ele deslizou pelos telhados com a velocidade dos insanos e inumanos, ganhando terreno e tempo diante do meu assombro. Minhas mãos frias buscam a madeira gasta da folhas da janela e puxo com força em um movimento mais instintivo do que estudado. O gancho que as prende é instável e nunca funciona quando o vento bate sobre a minha casa, mas hoje um deles fecha seus dentes sobre a madeira. Vejo que ele se aproxima rápido demais e que seus olhos vermelhos e insanos estão cravados em mim como se quisessem me hipnotizar. Ponho meu corpo para fora da janela e golpeio o gancho, ignorando a dor das unhas que se quebram e penetram em minha própria carne. Luto desesperada sem tirar os olhos do ser que se aproxima e de quem sou alvo. Sinto, de repente, a ausência de resistência e bato a janela virando o trinco tão violentamente que meu pulso reclama com um som doloroso. Caio ajoelhada e descubro que meu rosto está coberto de lagrimas de puro terror, meu coração acelerado espera que a qualquer momento a criatura ultrapasse essa decrépita barreira de madeira e me agarre pela garganta. Um baque forte, como um pássaro que se choca, me põem em pé. Ouço o grunhir maldoso e frustrado e vejo, me espiando por entre os vãos da janela, os olhos que cobiçam. Mais um baque e a coisa se vai. Logo ouço um grito e meu coração se aperta. Alguém foi menos rápido do que eu ou não teve olhos para ver o que vi. O passado é assim, tenta te agarrar nas noites frias, tenta te lavar de volta para aquela encruzilhada onde nenhum dos caminhos tinha saída, onde todos caminhos levavam ao desespero. Mas eu fechei a janela. Ah, sim. Eu fechei a janela. Sim.... É hora....... Finalmente! A garoa fina forma uma cortina das mais atraentes que o vento balança de cá para lá para meu deleite. Assim, de repente, o frio cerca a cidade e me dá o prazer de me embrulhar em uma malha quente. Fico feliz aninhada em qualquer canto ouvindo o uivar do vendo e o pingar da chuva. Me lembro de perseguir o sol, como fazem todos que conheço, mas o fazia sem pensar, sem medir os desejos do meu corpo. E meu corpo pede que a temperatura seja amena ao menos e que o céu derrame suas lagrimas com mais freqüência do que tem acontecido. Sonhos não são embalados em corpos suados que se enrolam em cobertas incomodas. Sonhos não acontecem em meio a nuvens de insetos que o calor anima. Sonhos vem de mansinho, se esgueirando pela janela trazidos por um frigido raio de luar. Sonhos se aninham no cobertor macio e fazem carinho em nossas mentes. Não há inspiração que resista ao ruído do ventilador que abafa os sons da noite, que impede que eu veja, sem olhar, todo mistério que se esconde nas sombras. Sou da noite, e sempre o disse, mas sou da noite fria e magica que me deixa solitária à olhar um mundo adormecido. Quando o sono vem, esticando dedos sedutores em minha direção, eu me deito em minha cama e olho pela fresta de minha janela, que nunca se fecha completamente, e vejo o céu coalhado de estrelas reveladas pelas rajadas frias de alguma corrente polar. E o mundo suspira enquanto adormeço pensando na sorte que tenho em estar viva, em sentir cada pequena mudança de temperatura, em sonhar com um amanhã que não é somente um novo dia, mas também mais um dia. Mais um dia..... Certo. Você é macho e matar baratas está muito abaixo de sua capacidade. Para que desperdiçar seus golpes em um inseto estúpido? Certo? Huhu, vamos lá e confesse que a verdade é que quando o bicho faz “isquichhhhhhh” debaixo da havaiana e espalha aquela gosma branca, você fica tão enjoado como qualquer mulher. Não? Verdades e mentiras à parte é hora de aprenderem a caçar uma barata como se deve. Pode até vestir aquele boné que gosta, aquele mesmo que veste quando vai treinar tiro com seu dedo indicador em frente ao espelho. Pode por as calças cargo também e o cinturão Rambo. Tire os óculos espelhados de xerife e olhe pelos cantos. Com esse calor dos infernos elas entram pelas frestas das portas à procura dos restos de sua pizza que adormeceu debaixo do seu sofá. Viu? Ali no canto? Hei! Onde você vai? Volta aqui e para de manha. Tá com diarréia nada, é nojinho mesmo e se eu posso você também pode. À ela meu cavaleiro! Pegue o chinelo e o posicione na mão à moda de uma raquete de tênis. Claro que é o chinelo que está no seu pé! Agora ande como quem não quer nada na direção da danada, se ela mudar de direção você a segue. Não vá correndo senão ela se enfia debaixo de algum lugar escuro e apertado e ai danou-se. Como assim assobiar? É UMA BARATA, SUA ANTA, ELA NÃO VAI REPARAR NISSO! Segura o chinelo direito, molenga. Agora ela está a vista e você só precisa observar e esperar a hora certa. Veja esse casco nojento e brilhante, essas patinhas sujas que andaram sabe Deus por onde. Porque você tá verde? Se você vomitar em cima de mim te jogo na barata. Agora avança, meu soldadinho, fica com o chinelo em posição, a arma deve estar preparada. Mais perto.... mais perto..... mais perto.... MAIS PERTO EU DISSE! PARA DE MANHA E CHEGA PERTO DESSA BARATA. E para de choramingar, desculpe eu não queria parecer sua mãe. Trauma de barata? Essa nunca ouvi e nem cola, vamos juntos então. Agora dá um susto nela pra ela descolar da parede e acerta a peste com o chinelo. BUU????????? EU DISSE SUSTO, BATE O PÉ NO CHÃO, SUA ANTA! Agora!!!!!!! VAI, VAI, CHINELA ELA. AGORA!!!!!!! ........................................................... Pronto, pronto. Para de chorar. Não foi nada. É reflexo, eu vi sim como ela foi direto para você. Poderia ter te comido....rsrsrsrsrs Desculpa, parei de rir. Mas como eu ia saber que você ia pisar nela com o pé descalço? Vamos lavar o pezinho, vem meu pequeno caçador. Passo sim, passo desinfetante no seu pé. Lavo o pezinho sim, não precisa mais fazer essa cara. Pronto... apoia em mim e não põem esse pé melecado no tapete. ................ E TIRA A MÃO DA MINHA BUNDA!!!! Quantos não passamos por isso? Quem não derramou uma ou duas lagrimas por uma amizade que nunca passou de miragem? Ser fiel à si mesmo nem sempre é fácil, mas numa separação lhe dá pelo menos a dignidade de não ter se curvado ao capricho alheio. Gi, Espero que seja isso que você queria ouvir. Abraços de coração. De sua amiga sincera.... Andréa C POST BY
REQUEST Férias.... Quantos não sonham com as suas, mas eu estou começando
a lamentar as minhas. Com uma semana de férias não tive tempo nem animo para
escrever. Não pude cuidar de mim mesma e nem do que me interessa. Como me deixo
levar fácil pelo desejo dos outros, faço aqui um apelo aos meus fieis leitores e
amigos. Me dêem o que escrever. Façam seus pedidos, sejam contos sobre temas que
desejem ouvir, sejam textos sobre qualquer assunto. Dêem-me o que fazer. Me
encham de pedidos, me façam generosos convites para lhes contar historias, me
digam que assunto querem ver esmiuçados. Fico aqui a espera e procurar a
qualquer pedido. Abraços da sempre sua....... Andréa Claudia. Nem todo mundo que está no topo deve ser respeitado. A sorte, essa danada
escorregadia e trapaceira, costuma sorrir para quem bem entende, sem considerar
competência ou inteligência. Certas pessoas se dão bem, e você sabe que estou
certa porque já se viu muitas vezes olhando para um indivíduo oco e se
perguntando "Como ele conseguiu?" O fato é que nem todos batalham, nem sabem o
que estão fazendo e nem mesmo se dão conta da sorte que tem. Essas pessoas são
aquelas que nunca reconhecem o trabalho alheio, elas sempre diminuem e
subestimam o potencial dos outros pois não tem a mínima idéia de como medi-lo.
São essas pessoas que sempre estão arrotando verdades em forma de sermão quando
você os contesta. Não há maneira de se mostrar valor aos olhos destes, eles
sempre tem um dedo apontado para seu defeito, sua falha, sua teimosia. Não
interessa a eles que esse defeito, falha e teimosia, seja o que o torna
especial, o que o faz se empenhar e dar o sangue por um trabalho mesmo quando
mal remunerado. Para esses donos da sorte e da verdade, não interessa que você
tente mudar as regras para melhor servi-lo, não. Ele quer que as regras sejam
seguidas à risca pois ele as ditou, não interessa que estejam erradas, segui-las
é preciso. O mundo está cheio de pessoas assim, sabe Deus como venceram, mas não
há o que se fazer. Quando mais se luta mais se perde e entregar o jogo é a única
saída. É assim que alguém cheio de energia e vontade de inovar se torna um
contador de minutos. Conta os minutos para o café, para o almoço, para o cigarro
da tarde, para o fim do expediente. Não diga que há saída, não há, a sorte, essa
dama ingrata, está sentada no ombro do ignorante. Conta-se os minutos agora,
todo santo dia, até que se ache um ombro onde a sabedoria esteja empoleirada. A
sabedoria dá chance sem medo, dá asas ao que quer voar e dá espaço para idéias e
novos conceitos. Não há sentido em insistir em jogo que foi arranjado, o melhor
é guardar forças para quando um verdadeiro torneio se apresentar. Sutiã invisível: Já viu o comercial? Você passa uma colinha,
gruda o negocio nos seios e puxa, empurra até ficar parecendo que você colocou
silicone. Perfeito, diz você, todo o milagre sem o sofrimento. Mas você já
pensou na hora H? Está lá, no momento ardente com aquele cara que, uauuu, e
então ele a toca. Estranha um pouco, mas existem tantos sutiãs com enchimento
que ele vai em frente. Lá se vai o top, tomara que caia preto e sexy, para o
chão e ele se vê cara a cara com essa peça plástica presa por um clipe no
centro. Nada de alças, nem fechos nas costas. Ele sorri corajoso, afinal ele é
macho e se pode desabotoar um sutiã clássico com somente dois dedos.... Ele, num
movimento ousado solta o clipe e lá se vão eles. Poim poim oim oim oim....
balançando livres no ar ao peso da gravidade. Com a testa franzida ele ainda
acha que está tudo bem, afinal são peitos, e pequenos ou grandes, homens gostam
deles. Mas e agora? Esse treco fica ai mesmo? Você tenta parecer sedutora com os
peitos originais revelados e avisa "Eles são col..." Ele não entende nada porque
nesse ponto você se tocou no absurdo da situação e perdeu a voz, mas depois de
alguns momentos, depois dele insistir de maneira irritante você confessa "ELES
SÃO COLADOS! C-O-L-A-D-O-S, entendeu?" ok, ele entendeu, você já perdeu um pouco
do clima, mas ele é um homem, e se o que existe entre ele e seus peitos e uma
borracha colada, pode ter certeza que ele irá se arriscar. Vocês voltam para os
abraços e beijos e ele tenta puxar o negocio com gentileza, mas o fato é que seu
peito vem junto. Em pouco tempo estão vocês dois tentando descolar o negocio sem
arrancar sua pele junto. Você já começa a desconfiar que seu irmão menor trocou
a cola por super bonder, ele já começa a pensar o que terá por baixo daquilo,
ele ainda lembra do poim oim oim... Claro que vocês vão chegar lá, homens são
homens e não é um momento como esse que irá estragar uma noite de sexo, mas para
você a noite já era. Tudo que vai lembrar é que seus peitos fizeram poim oim oim
na cara dele e que quando se livrou da borracha maldita, o que sobraram foram
peitos cheios de cola. Mas se alegre, pode se congratular por não ter usado
aquela meia calça com enchimento na retaguarda. As casas estão às escuras, portas bem trancadas escondem famílias
adormecidas. Os edifícios somente parecem ter vida quando um gato vadio
atravessa o raio de seus sensores e luzes possantes se acendem para iluminar a
passagem de ninguém. Aqui ou ali, um retângulo de luz mostra que nem todos se
renderam à Morfeu e passos nas ruas vazias anunciam que uns, mais que outros,
ainda tem assuntos a tratar na escuridão. O vento faz com que os despojos da
guerra diária levantem vôo em um ballet violento. Uma folha de papel, rasgada de
uma agenda qualquer, se agarra a um saco plástico rasgado que perdeu seu sentido
ao não cumprir sua função. Dançam pela noite subindo no ar cálido como se
embalados por uma valsa de Strauss. Folhas arrancadas prematuramente pela ultima
tempestade giram num redemoinho louco. Uma gargalhada coletiva e aplausos sem o
cair da cortina anunciam que em algum lugar, não longe, não perto, pessoas ainda
se reúnem, ainda exalam calor e alegria. Um rosnado, latidos de alerta, uivos
que ganham ecos longínquos enquanto uma mensagem secreta é passada de casa em
casa, de animal para animal. O estouro de um cano de descarga põem fim à
sinfonia canina. Um motor acelera e freios guincham em protesto enquanto uma voz
grita um cumprimento desrespeitosa à certa progenitora. O silencio volta aos
poucos, como um manto posto delicadamente sobre o corpo cansado de uma criança.
O vento diminui sua intensidade e o lixo bailarino cai suavemente até encontrar
seu lugar de repouso. O silencio geme em ouvidos que não ouvem e uma estrela
solitária, furando o cinza sujo do céu que nos protege, pisca caprichosa,
esperando que alguém se debruce em uma janela e lhe faça um pedido. Aretha Franklin canta ao fundo. A voz doce enche o quanto mesmo o volume
estando tão baixo. É como se a musica se transformasse em névoa e preenchesse os
vazios. A única iluminação vem de uma luminária de luz fria que lança um circulo
de luz sobre suas mãos no teclado. O ventilador faz um ruído conhecido e
calmante tirando o calor do banho e espalhando o perfume de sabonete e de
colônia masculina que ela gosta de usar. A janela aberta, ao lado da sua mesa,
lhe mostra um céu cinza chumbo e de nuvens dançantes. Tudo parece tão escuro lá
fora como se o mundo tivesse se aposentado e ido morar em Miami. O ar é morno e
seus cabelos molhados vão ficando cada vez mais leves e suaves batendo em seu
rosto. Um chorinho baixo a faz olhar para a cama baixa, sedutora em seu edredom
vermelho com estampas em caracteres orientais. Uma forma negra, na ponta da cama
a fez sorrir e ela empurra a cadeira para acariciar o focinho de veludo de um de
seus cães. Outros três a cercam, deitados em dois edredons velhos, um deles em
frente à janela, outro no meio de suas duas estantes cheias dos livros que ama.
O sino de vento canta seu lamento bem acima de sua cabeça, empurrado pelo sopro
do ventilador. Ela não pendurou o espelho acima da penteadeira que ocupa o outro
lado da janela. Esqueceu, assim como esqueceu de tudo enquanto fazia as mudanças
tão esperadas em seu quarto. Agora, seu computador ficaria no único lugar que
considerava seu, o único canto que lhe sobrara na vida onde nada vinha lhe
incomodar. Desmontou tudo, montou novamente, limpou cada livro, se perdendo em
paginas que não resistiu folhear, arrastou moveis e os consertou. Trabalho
insano que lhe encheu o corpo de dores, mas valera a pena. 20:41 de Domingo
agora e pela primeira vez pode olhar com calma, apreciar a paz e tranquilidade
de seu único refugio. A falta de detalhes lhe agrada, é como ela mesma que não
gosta de babados e floridos. Tudo é simples e amplo e um desavisado pode não
saber se o aposento pertence à um homem ou à uma mulher. As caixinhas cheias de
colares e brincos, a gaveta cheia de maquiagem revelariam. Tudo arrumado,
organizado, demais, é sempre assim, porque é seu canto, porque é o único lugar
onde pode ter tudo como seu desejo. Areatha Franklin canta Walk On By e ela
escreve com o coração leve e livre de quem pode enfim descansar. A cortina de
algodão, em xadrez minúsculo azul claro e branco, bate suas asas enquanto o
quarto lhe sussurra com voz doce, "Bem vinda". E é assim que eu me sinto, bem
vinda. Ela passa os dedos, de unhas pintadas de uma cor imprecisa entre o roxo e o
negro, pelos cabelos longos de maneira que caiam pelas costas como cascata. O
dourado é artificial, mas quem hoje em dia não os tem assim? Os fios são
alisados, horas de escova para os transformar e mais um toque final, são
prensados e fervidos em toda sua extensão pela chapinha do cabeleireiro. Mas ela
sabe que vale a pena. A imagem é tudo. A boca, desenhada com um lápis um tom
mais escuro que o batom, imita a boca carnuda que para alguns vem de nascença.
Enquanto escuta ele falar de coisas que não a interessam, dá uma olhada para o
decote conferindo o poder de seios bem suportados por arames e barbatanas. Eles
são firmes, como não seriam em sua idade? Mas não é nada mal empina-los um pouco
mais, já que existem meios para isso. O celular toca e ela atende com um sorriso
para seu acompanhante, nunca é demais demonstrar que outros também se
interessam. Ela ri, fala com voz melosa, faz beicinho, diz que vai pensar e
então percebe que ele não está prestando atenção em sua comedia em três atos. Se
despede rápido e desliga, pondo uma mão macia em seu braço. Tocar o parceiro é
importante, ele precisa saber que você o deseja. Ele se volta novamente para ela
que pisca os olhos bem contornados de delineador, de cílios tingidos e curvados
pelo rímel. "Era a sua mãe?" Ele pergunta ingenuamente. Ela nega veemente,
afinal "sou dona do meu nariz e sei me cuidar", conta uma historia comprida
sobre alguém que a quer, mas o perde de novo quando alguém passa acenando da
janela de um ônibus "Fala ai, mano!!" Ele lhe dá um adeus apressados e sai
correndo com a mochila pesada batendo em suas costas magras. Ela ajeita a sua
própria mochila, que teima em desarrumar o top sexy que escolheu para ir à
escola hoje. Um suspiro confuso escapa de sua boca que logo se abre em sorrisos
quando vê suas amigas se aproximando. "Ai, menina, ele tá na sua. Conta
tudinho." E ela conta. Conta o que nunca aconteceu. Em casa sua mãe a espera e
lhe passa um sermão pelo excesso de maquiagem, pela saia muito curta, pelo sutiã
milagroso. É mandada para seu quarto como se fosse uma menininha. Pensa que não
é justo, afinal já tem 14 anos. Na sala a mãe suspira e se lembra de quando tinha essa idade, das
brincadeiras de bola, das bonecas, do riso fácil e nada artificial, da cara
lavada e do rabo de cavalo e em como os meninos eram somente companheiros nas
brincadeiras. Apesar de toda sua angustia e medo pelo futuro, não negou quando a
filha lhe pediu para sair na balada no fim de semana. Também não negou quando,
em vez da festa de 15 anos, a filha viajou para o nordeste com os amigos, todos
em pares. Pensou em dizer não quando aos 18 ela quis implante nos seios e lipo
na barriga, mas era tarde demais para nãos e a filha precisava se destacar nesse
mar de mulheres-meninas. A infância encolheu sim, mas isso não é o pior. O pior é que mesmo na
infância já não existe inocência. Existe uma hora do dia que é perfeitamente mágica. O dia trás toda a
realidade com a luminosidade deste astro exibido, que expõe cada segredo de cada
canto e desvenda os mistérios os tornando levianos. A noite faz o inverso, trás
sombras para caminhos conhecidos os tornando cheios de perigos, deixa o ar suave
e inebriante confundindo nossos sentidos, fazendo com que vejamos o belo como
medonho, o maldito como anjo. Mas na hora mágica tudo é irreal. Torres de marfim
se erguem no meio de estradas desertas, mares de fogo cobrem ruas onde o trafego
é intenso, pessoas comuns parecem vestir armaduras, rostos ganham a pureza do
mármore das esculturas gregas. Olhamos para a frente e nada vemos. Nada está
claro, mas também não há escuridão. O sol arde como fogo adormecido na linha do
horizonte e a lua se ergue como donzela nos encantando com seu alo prateado.
Nada está claro, nada é distinto. É a hora onde vemos o que não é, onde sentimos
o que não está lá. É o por do sol, o raiar da lua, o entardecer que é esquecido
quando separamos o dia entre luz e escuridão. Na hora magica nascem muitos
sonhos. Os desejos são despertados, os lamentos balbuciados. Quem espera por
algo, sente o estômago se apertar sabendo que é está a hora da expectativa. Quem
sofreu seus revezes, sente a mente se esvaziar sabendo que o descanso não tarda.
Hora mágica, entardecer, fim e começo, destino e partida. Hora mágica,
simplesmente mágica.
Pé na Cova com o Pé na Cova
Escrito por Andréa C às 12:26:26
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Escrito por Andréa C às 01:21:49
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Sonhos Febris
Escrito por Andréa C às 22:30:35
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Escrito por Andréa C às 01:04:03
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Fazer poesia eu não sei, mas empresta-me tua boca e a adoço com o amor mais puro que já sentiu. Falar de amor nunca aprendi, mas demonstro corrigindo meus defeitos e aguçando minhas poucas qualidades. Me deixa te mostrar, na noite fria, os segredos que escondo no fundo do peito. Não me ame somente pelo que vê, mas principalmente pelo que adivinha e só o tempo irá lhe mostrar. Sinta em cada toque o bater do meu coração, a cadencia do meu sentimento e revele seu egoísmo me roubando do mundo que nunca me mereceu. Peque , rezando em um altar onde só nosso amor tenha espaço. Não tenha medo. Não somos mais jovens e nossas emoções já nos pertencem. Podemos esquecer as paixões e o desejo passageiro dos corpos juvenis. Só entreguemos corpo e mente ao que estava predestinado. Colha o que plantou a tanto tempo e descubra o que o destino te roubou. mas não pragueje contra o passado que nos separou, ele somente cobrou , antecipadamente, toda felicidade que nos cabia. Sim, é hora. Faz silencio e vem sem demora.
Escrito por Andréa C às 00:04:56
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Finalmente!
Escrito por Andréa C às 01:08:54
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Post by requesst - Manual do Inútil : Como matar baratas
Escrito por Andréa C às 01:05:21
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Post by request: Para Gi Marques
Nem mesmo lembravam como começara. A princesa sempre procurava pessoas que precisassem de sua imagem, afinal sem plebeus o que seria da realeza? Sua fortuna lhe rendia seguidores e ela se aproveitava disso. Quando a plebéia surgiu foi quase um desafio, pois sua beleza e inteligência não davam indícios de que precisasse seguir, mas sim ser seguida. O mundo é mundo e as pessoas nem sempre agem como poderiam, nem sempre aproveitam sua total capacidade. A princesa se sentia feliz com sua companheira que resolvia todos seus problemas e fazia uma bela figura ao seu lado, pois apesar de plebéia passava fácil por princesa. A plebéia, sem tempo ou paciência de procurar por amizades mais interessantes, se contentava com esse segundo lugar glamouroso. Aceitava ser levada e aceitava fazer dos desejos da princesa os seus. Os poucos que a conheciam estravam essa união. O que faz uma mente profunda e alerta aliada a uma beleza real, se unirem à futilidade pura? Sabiam não ser pela popularidade, pois ela não ligava para isso. Nem mesmo pelo poder do dinheiro, pois ela só dava valor para o dinheiro ganho com seu próprio esforço. Ninguém desconfiava que a plebéia era somente impaciente. O cultivar um relacionamento até ele se revelar proveitoso, o se revelar aos poucos, o descobrir o que interessava o outro até saber se coincidiam seus interesses a cansava. Havia tantas coisas a fazer que perder tempo precioso construindo relacionamentos não entrava em suas prioridades. A futilidade da princesa a cansava, o relacionamento raso, baseado somente no seu poder de resolver os diversos problemas da princesa, com o tempo a fizeram olhar para os lados e para a frente. Um dia um não espontâneo e firme saiu de sua boca. Sem arrependimentos ela se revelou como era, disse verdades colocou limites naquela amizade que nunca fora mais do que uma troca de interesses. Pediu que a princesa cuidasse de seus próprios problemas e que se revelasse um pouco mais humana, pois o titulo de princesa, usado entre elas, era piada e não realidade. Pois um fim à escravidão que se auto impusera. Não esperem por um final feliz, não há. A princesa ofendidíssima repudiou a plebéia que se negara a atender seu desejo, disse palavras duras e fez acusações infundadas que magoaram e abriram os olhos da plebéia para o quanto aquela amizade a fizera parecer menos do que era. A princesa seguiu seu caminho, seguidores sempre existiriam e, apesar de no fundo do coração, sentir falta da amiga plebéia porem nobre, nunca procurou reconciliação. A plebéia finalmente percebeu que a amizade é mais do que andar juntos, é compreender até mesmo um não mais duro, é se curvar à verdade e não culpar quem a revela. Amizade é andar juntos por um tempo, conhecer aos poucos o bom e o ruim e aceitar ambos. Amar um amigo é saber que ele é imperfeito, mas mesmo assim ama-lo, é dizer não e ser aceito, é apontar o erro sabendo que o outro procurará não repeti-lo.
Escrito por Andréa C às 23:50:19
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Escrito por Andréa C às 00:53:51
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O Rei dos Tolos e a Sorte Cega
Escrito por Andréa C às 23:00:43
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Coisas que eu não entendo
Escrito por Andréa C às 23:58:33
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Escrito por Andréa C às 23:44:59
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Reino
Escrito por Andréa C às 22:30:32
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A Hora Certa
Escrito por Andréa C às 00:22:47
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A hora mágica
Escrito por Andréa C às 23:16:47
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